O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, assinado em 17 de janeiro de 2026, deu mais um passo nesta semana. O Palácio do Planalto encaminhou ao Congresso Nacional, nesta segunda-feira (2), o texto do tratado firmado no Paraguai, iniciando o processo de ratificação interna. O acordo, negociado ao longo de mais de duas décadas, cria um mercado potencial de cerca de 700 milhões de consumidores e prevê a redução gradual de até 90% das tarifas de importação e exportação ao longo de um período de dez anos.
Do ponto de vista econômico, o tratado estabelece a eliminação de tarifas sobre aproximadamente 92% das exportações do Mercosul destinadas à União Europeia na próxima década, com impactos relevantes sobre a corrente de comércio, a especialização produtiva e a competitividade externa. As estimativas indicam que a participação do Brasil no mercado europeu pode avançar de 8% para 36%, potencializando o acesso de produtos nacionais a um dos maiores blocos econômicos do mundo.
O comércio bilateral entre o Brasil e a União Europeia registrou déficit de US$ 480 milhões em 2025, com exportações de US$ 49,8 bilhões e importações de US$ 50,2 bilhões. No ano passado, o Paraná importou muito mais do que exportou para os países do grupo europeu, resultando em uma balança comercial deficitária de US$ 2,2 bilhões, ao contabilizar US$ 2,5 bilhões em exportações e US$ 4,7 bilhões em importações.
Exportações
Para o Paraná, o acordo representa uma oportunidade de diversificar os parceiros comerciais e reduzir esse déficit. Em 2025, o principal produto exportado pelo estado à União Europeia foi o farelo de soja, que cresceu 11,2%, resultado associado ao bom desempenho da safra agrícola 2024/2025. Outros produtos exportados pelo Paraná são madeiras e folheados, carnes de aves, celulose, papel e cartão, produtos da indústria química, café torrado, equipamentos de engenharia civil, açúcares e sucos de frutas. Alguns segmentos apresentaram crescimento expressivo, como equipamentos de engenharia civil, com alta de 184,6%, produtos da indústria química (+157,9%), açúcares e melaços (+72,6%), motores de pistão (+61,5%) e carnes de aves (+47,4%).
Importações
As importações provenientes da União Europeia concentraram-se em medicamentos, acessórios de veículos, motores de pistão, aparelhos de medição, ventiladores e exaustores, compostos orgânicos e máquinas agrícolas. Em 2025, destacou-se o forte crescimento das compras de óleos combustíveis (+141,2%), máquinas de processamento de alimentos (+86,3%), máquinas não elétricas (+72,9%), produtos químicos orgânicos (+22,5%) e máquinas e equipamentos (+21,1%). Os medicamentos, inclusive veterinários, permaneceram como o principal item importado, com aumento de 6,8%, evidenciando a dependência do mercado estadual em relação à indústria farmacêutica europeia.
Andamento do tratado
No campo institucional, o acordo ainda precisa ser aprovado internamente por cada país integrante do Mercosul. No Brasil, o texto será analisado pela Câmara dos Deputados e, posteriormente, pelo Senado. A expectativa do governo federal é de que o tratado seja apreciado nas próximas semanas e possa entrar em aplicação provisória já a partir de março, mesmo antes da ratificação completa por todos os países do bloco. Na União Europeia, entretanto, há um movimento de judicialização, com o encaminhamento do acordo ao Tribunal de Justiça da UE por parlamentares europeus, o que pode atrasar a implementação plena em até dois anos.
Conforme destaca o assessor econômico da Fecomércio PR, Lucas Dezordi, para o Paraná, a entrada em vigor do tratado, ainda que provisória, tende a abrir novas possibilidades de expansão das exportações, especialmente para produtos agroindustriais e industriais com maior valor agregado. “O acordo amplia o acesso do agronegócio paranaense a um mercado exigente e de alto poder aquisitivo, criando oportunidades para a diversificação de destinos e para a valorização de produtos com maior grau de processamento”, afirma. Segundo ele, a redução tarifária também pode favorecer a inserção de segmentos industriais e agroindustriais do estado em novas cadeias globais. “Para o Paraná, trata-se de um avanço estratégico, que fortalece a competitividade das exportações no médio e longo prazo”, avalia.
Fonte – Fecomércio PR.
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