Um estagiário de pós-graduação em Direito do Ministério Público do Paraná (MP-PR) foi demitido e denunciado criminalmente após tentar oferecer os serviços de advocacia da própria mãe para um homem acusado de violência doméstica em troca de isenção nas mensalidades de uma academia.
O caso aconteceu na Promotoria de Justiça de Pitanga, na região central do Paraná, onde o rapaz atuava em uma residência técnica desde janeiro deste ano. O nome dele não foi divulgado porque o processo tramita sob sigilo.
De acordo com o Ministério Público, o ex-estagiário utilizou informações sigilosas às quais tinha acesso dentro da Promotoria para abordar o acusado. Em mensagens obtidas pela investigação, ele afirma que iria “direto ao assunto” e propõe que a mãe acompanhasse juridicamente o caso em troca do pagamento das mensalidades de treino dele e de outra pessoa.
“Esse mês meu carro estragou […] e estou bem apertado nas contas”, escreveu o então estagiário em uma das mensagens.
Nos prints, ele ainda sugere que o acusado contratasse um advogado particular e chega a comentar detalhes do processo. “Pelo que vi nos autos não tem provas nenhuma do que ela alega”, afirmou.
Segundo o MP-PR, o servidor também teria indicado que sua posição dentro da Promotoria poderia beneficiar o investigado no andamento do processo.
Caso foi descoberto pela vítima
A situação veio à tona após a ex-companheira do acusado ter acesso ao celular dele depois da separação. Ao encontrar as conversas com o estagiário, ela procurou as autoridades e denunciou o caso.
Assim que tomou conhecimento dos fatos, o Ministério Público desligou o residente técnico no dia 5 de março de 2026.
Crimes apontados pelo MP
Nesta quarta-feira (27), o ex-estagiário foi denunciado criminalmente pelo Ministério Público do Paraná pelos crimes de:
- corrupção passiva;
- fraude processual;
- violação de sigilo funcional.
Segundo o órgão, ele também tentou ocultar as mensagens trocadas com o acusado após o caso ser descoberto.
O MP destacou que, devido à gravidade da situação e ao comprometimento da confiança depositada no servidor dentro da Promotoria, foi negada a possibilidade de acordo de não persecução penal.
As penas previstas para os crimes podem chegar a mais de 12 anos de prisão, além de multa.
Fonte – Com informações do g1.
























