As imagens, que viralizaram nas redes sociais, foram registradas em março e mostram uma equipe da clínica descendo de uma ambulância veterinária, deixando os animais em uma via não pavimentada, fotografando os cães e deixando o local em seguida.
Após a repercussão, a Polícia Civil instaurou investigação e concluiu o inquérito nesta terça-feira (9). O delegado Derick Moura Jorge indiciou a clínica Clinicão e três médicos veterinários por maus-tratos a animais. Os nomes dos profissionais não foram divulgados, já que o processo tramita em sigilo.
Segundo o delegado, os cães haviam sido recolhidos para castração, mas foram deixados em uma área isolada da Vila Mezzomo, próxima a uma linha férrea ativa e distante mais de 7 quilômetros do local onde viviam e eram acompanhados.
De acordo com o inquérito, os animais foram encontrados em estado crítico, com desidratação severa, feridas cirúrgicas abertas e pontos rompidos, sem qualquer suporte de recuperação.
Além do episódio, vistorias e laudos técnicos apontaram diversas irregularidades sanitárias e estruturais no estabelecimento, incluindo condições de insalubridade, falhas no controle de esterilização de materiais, manejo inadequado de animais e armazenamento irregular de cadáveres e instrumentos.
Entre os problemas relatados estão a permanência de animais em espaços inadequados, um gato com doença contagiosa mantido sem isolamento e o uso de instrumentos cirúrgicos impróprios, que teriam causado lesões em um dos animais.
O delegado também afirma que as práticas estariam relacionadas a decisões de gestão com foco em redução de custos, em detrimento do bem-estar animal.
Em nota, a Clinicão afirmou que seguiu protocolos técnicos, incluindo o método de Captura, Esterilização e Devolução (CED), e declarou confiança na atuação de seus profissionais, informando que apresentará documentos e registros às autoridades para defesa.
A prefeitura de Ponta Grossa informou que o procedimento seguiu orientação de legislação municipal e disse acompanhar o caso, além de manter fiscalização sobre o contrato com a empresa, podendo aplicar sanções ou até rescindir o vínculo caso irregularidades sejam confirmadas.
A Polícia Civil, no entanto, contestou a aplicação do protocolo CED no caso, alegando que ele exige recuperação completa dos animais antes da devolução ao local de origem, o que não teria ocorrido.
O crime de maus-tratos a cães e gatos, previsto na Lei de Crimes Ambientais, prevê pena de dois a cinco anos de prisão, além de multa e proibição da guarda.
Fonte – Com informações do g1.
























