Um dos casos mais graves já analisados pelo Judiciário de Cascavel resultou na condenação de um homem a 123 anos de prisão em regime fechado pelos crimes de estupro de vulnerável praticados de forma continuada contra as duas filhas. A sentença foi proferida em primeira instância pela juíza Raquel Fratantonio Perini e reconhece a gravidade extrema das condutas, cometidas ao longo de vários anos dentro do ambiente familiar, no bairro Neva.
O processo, que tramitava desde 2021, veio à tona após a filha mais velha engravidar ainda na adolescência, fato que deu início às investigações policiais e ao rompimento definitivo do núcleo familiar. Um exame de DNA realizado durante o andamento da ação confirmou a paternidade, reforçando o conjunto de provas reunidas.
Abusos começaram na infância
De acordo com os autos, os crimes tiveram início quando as vítimas ainda eram crianças, com idades entre 6 e 8 anos, e se estenderam de forma reiterada durante toda a infância e adolescência. As práticas criminosas só cessaram após a descoberta da gestação da filha mais velha, considerada um marco decisivo para o acionamento da Justiça.
A magistrada destacou que os abusos ocorreram de maneira contínua e no interior da residência, circunstância que agravou significativamente a pena aplicada.
Tentativas de escapar da Justiça
Em entrevista, o advogado das vítimas, Rafael Jacson da Silva Hech, relatou que o acusado tentou, ao longo do processo, adotar diversas estratégias para evitar a responsabilização penal. Entre elas, estariam alegações de dependência química, problemas de saúde mental e mudanças frequentes de cidade sem comunicação ao Judiciário.
Segundo o defensor, o réu também chegou a se internar em clínicas de reabilitação em momentos considerados estratégicos, coincidindo com datas de audiências e atos processuais. As justificativas, no entanto, foram analisadas e rejeitadas pelo juízo, que entendeu não haver elementos capazes de afastar a culpabilidade, inclusive pelo fato de o acusado manter uma vida considerada normal e exercer atividade profissional.
Condenação histórica
Com base em depoimentos, laudos técnicos, perícias e demais provas, a Justiça reconheceu a prática de estupro de vulnerável em continuidade delitiva, resultando na fixação de uma pena considerada histórica na comarca. O réu foi condenado a 123 anos de reclusão, a serem cumpridos em regime fechado.
Apesar da possibilidade de recurso, prevista em lei, a expectativa da defesa das vítimas é de que a condenação seja mantida, diante da robustez das provas e da fundamentação da sentença.
Consequências permanentes
O caso causou a desestruturação completa da família e deixou marcas profundas nas vítimas. Atualmente, a filha mais velha tem cerca de 20 anos, enquanto a mais nova se aproxima da maioridade. Segundo o advogado, ambas demonstraram sentimento de alívio com a decisão judicial, vista como uma forma de justiça, embora as consequências emocionais sejam irreversíveis.
Entre os impactos mais graves está o nascimento de uma criança fruto da violência, fato que evidencia a dimensão do sofrimento causado pelos crimes e reforça a gravidade do caso, considerado um dos mais emblemáticos já julgados em Cascavel.
Fonte – Com informações do Portal CGN.
























