Um episódio marcante vivido ainda na infância foi o ponto de partida para a escolha profissional de Taynara Aparecida Sinhuri, de 23 anos. Natural de Carambeí, a jovem se formou em Enfermagem há menos de dois anos e encontrou na profissão um propósito de vida: cuidar de pessoas e evitar que outras famílias enfrentem situações semelhantes à que marcou a sua.
A história de Taynara está diretamente ligada à da irmã gêmea, Tamires Sinhuri. As duas nasceram prematuras, em Ponta Grossa, com apenas seis meses e meio de gestação. Durante o período de internação, Tamires perdeu completamente a visão após complicações em um tratamento de fototerapia — procedimento conhecido como “banho de luz”.
Segundo a enfermeira, a família acredita que houve falhas no atendimento médico, incluindo a retirada da proteção ocular durante o procedimento. Além disso, os pais relatam falta de informações sobre intervenções realizadas e até transferências hospitalares sem comunicação prévia. Anos depois, ao buscar esclarecimentos, a família não encontrou registros, já que o hospital encerrou as atividades.
Apesar das dificuldades, Taynara cresceu ao lado da irmã, auxiliando no dia a dia e enfrentando juntos os desafios impostos pela deficiência visual. Foi essa convivência que despertou nela o desejo de seguir a carreira na área da saúde.
“A Enfermagem não foi uma escolha, foi um propósito. É a profissão que mais está próxima do paciente. O cuidado sempre fez parte da minha vida por causa da minha irmã”, afirma.
Atualmente, Taynara trabalha em um hospital em Ponta Grossa e atua, principalmente, com pacientes em cuidados paliativos — aqueles que enfrentam doenças graves. Para ela, o acolhimento não deve se limitar aos pacientes, mas também se estender às famílias.
“A gente precisa oferecer conforto e diálogo. Muitas vezes, quem mais precisa de apoio é a família, especialmente quando o paciente já não consegue se comunicar”, destaca.
A experiência vivida na infância influencia diretamente sua atuação profissional. A enfermeira busca garantir que pacientes e familiares recebam informações claras e acompanhamento humanizado — algo que, segundo ela, faltou à sua própria família no passado.
Superação e conquistas
Apesar da perda da visão ainda bebê, Tamires construiu uma trajetória de superação. Formada em Pedagogia, ela também se destaca como paratleta, competindo nas provas de 100 e 200 metros rasos, além de praticar o goalball, modalidade voltada exclusivamente para pessoas com deficiência visual.
A conquista das duas irmãs é motivo de orgulho para a família. Filhas de pais sem formação superior, elas trilharam caminhos de sucesso por meio da educação e da determinação.
“É muito gratificante proporcionar isso para os nossos pais. Eles sempre se emocionam muito”, conta Taynara.
A história das irmãs Sinhuri é marcada por desafios, mas também por resiliência e transformação — um exemplo de como experiências difíceis podem dar origem a propósitos que impactam positivamente a vida de outras pessoas.
Fonte – Com informações de g1.
























