Entidades que representam a agricultura e o setor de transporte no Paraná voltaram a alertar para o risco de desabastecimento de diesel após a alta do preço do petróleo provocada pelo conflito envolvendo Estados Unidos e Irã.
Além da preocupação com a possível escassez do combustível, a Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar) prevê um reajuste significativo no valor do frete já nos próximos dias. Segundo o presidente do sistema Fetranspar, Sérgio Malucelli, a alta pode chegar a pelo menos 11% até a próxima semana.
No Brasil, e consequentemente no Paraná, o transporte de cargas é realizado majoritariamente por caminhões. Nesse cenário, o diesel representa uma parcela significativa dos custos operacionais das empresas do setor, variando entre 35% e 55%, dependendo da distância e do peso da carga transportada.
Diante desse cenário, a federação defendeu a adoção de medidas concretas para conter o avanço dos preços do combustível. Segundo a entidade, o impacto não deve atingir apenas as transportadoras, mas também o consumidor final, que pode sentir o aumento no valor de diversos produtos, inclusive nos supermercados.
Impacto no agronegócio
O diesel também desempenha papel fundamental no agronegócio. De acordo com levantamento do Sistema FAEP, cerca de 73% da energia utilizada na agropecuária brasileira é proveniente de combustíveis fósseis, principalmente o diesel, que abastece máquinas agrícolas e sustenta parte da logística de transporte da produção.
Por causa do alto nível de mecanização agrícola, culturas como soja, milho, trigo e cana-de-açúcar utilizam máquinas movidas a diesel em praticamente todas as etapas da produção, desde o preparo do solo até a colheita.
O técnico do Departamento Técnico e Econômico do Sistema FAEP, Luiz Eliezer Ferreira, explicou que a volatilidade do preço do petróleo pode levar distribuidoras a segurar o produto no mercado, o que aumenta ainda mais a preocupação com possíveis dificuldades no abastecimento.
Dependência de importação
O Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Estado do Paraná (Paranapetro) também se manifestou sobre a situação e destacou que o Brasil ainda não é autossuficiente no refino de combustíveis.
Segundo o sindicato, o país precisa importar cerca de 30% do diesel consumido e aproximadamente 10% da gasolina. Por isso, os preços repassados pelas distribuidoras podem variar bastante, de acordo com a quantidade de combustível importado utilizada por cada empresa.
Em alguns casos, os aumentos no diesel já ultrapassaram R$ 1 por litro no repasse das distribuidoras. O Paranapetro também aponta que, enquanto as altas costumam ser repassadas rapidamente aos postos, as reduções de preço nem sempre chegam com a mesma velocidade ao consumidor.
Fonte – Com informações de CBN Curitiba.
























