O avanço do contrabando de canetas emagrecedoras no Paraná também já reflete em Ponta Grossa, cidade que aparece entre os municípios com aumento nas apreensões de medicamentos ilegais em 2026. Os produtos entram principalmente pela fronteira de Foz do Iguaçu, considerada atualmente o principal epicentro desse tipo de contrabando no Brasil.
Dados da Receita Federal apontam que, somente entre 1º de janeiro e 20 de maio deste ano, mais de 69 mil medicamentos para emagrecimento foram apreendidos em Foz do Iguaçu. O volume supera em 165% o total apreendido em todo o Paraná durante o ano de 2025.
Segundo as autoridades, a localização estratégica da cidade fronteiriça favorece a entrada ilegal dos produtos vindos do Paraguai. Foz do Iguaçu possui cerca de 30 quilômetros de fronteira internacional e três pontes de ligação com países vizinhos, facilitando a atuação dos contrabandistas.
Além de Ponta Grossa, cidades como Londrina e Maringá também registraram crescimento nas apreensões ao longo deste ano. A principal rota utilizada pelos criminosos é a BR-277, rodovia que conecta a fronteira ao interior e à capital paranaense.
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), os medicamentos seguem principalmente em direção a grandes centros urbanos do país, como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
As investigações apontam que grande parte das cargas é transportada no chamado “contrabando formiguinha”, quando pequenas quantidades são levadas por pessoas comuns em carros, ônibus e caminhões. No entanto, as autoridades afirmam que já identificaram estruturas mais sofisticadas ligadas a organizações criminosas.
Em diversas apreensões recentes, os medicamentos foram encontrados escondidos em compartimentos falsos de veículos, potes de alimentos e até motores e escapamentos.
A Receita Federal alerta que muitos desses produtos entram no país sem qualquer controle sanitário e sem condições adequadas de armazenamento. Segundo os órgãos de fiscalização, as canetas precisam permanecer refrigeradas para manter a eficácia e segurança.
“Nas apreensões, encontramos medicamentos escondidos em motores de carros e escapamentos de motocicletas. A preocupação com a integridade do produto praticamente não existe”, afirmou o delegado da Receita Federal em Foz do Iguaçu, Cezar Vianna.
Atualmente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza apenas cinco medicamentos emagrecedores no país. Produtos sem registro ou autorização são considerados irregulares e podem representar riscos graves à saúde.
As autoridades também alertam para a existência de medicamentos falsificados produzidos clandestinamente no Paraguai. Segundo especialistas, laboratórios paraguaios aproveitam a fiscalização mais flexível para abastecer o mercado ilegal brasileiro.
Após serem apreendidos, os medicamentos passam por processos administrativos e, posteriormente, são destruídos por incineração em empresas especializadas.
A Polícia Federal e a Receita Federal seguem realizando operações permanentes em rodovias, aeroportos, pontes internacionais e áreas de travessia clandestina para tentar conter o avanço do contrabando no Paraná e em outras regiões do país.
Fonte – Com informações de g1.
























