Confira quando é a melhor hora de dar um pet ao seu filho

64 0

O desejo das crianças por um animal de estimação costuma surgir cedo, seja após conviver com amigos que têm pets, assistindo a filmes ou simplesmente demonstrando interesse por cuidar de um bichinho. Mas a decisão de adotar um animal exige planejamento, alinhamento familiar e avaliação da rotina da casa.

Segundo Marcelo Freitas, psicólogo e orientador educacional do Brazilian International School – BIS, de São Paulo (SP), a convivência com pets traz benefícios importantes para o desenvolvimento emocional, social e até cognitivo das crianças. Mas os pais e responsáveis devem agir de forma consciente, e refletir se a família está realmente preparada para assumir essa responsabilidade.

“Os pets favorecem o desenvolvimento da empatia, da afetividade e do senso de responsabilidade. A criança aprende, na prática, que existe um outro ser com vontades e necessidades de alimentação, atenção, carinho e cuidados. Isso contribui para a construção de vínculos afetivos mais saudáveis e para o amadurecimento emocional”, explica.

A convivência com animais também pode ajudar crianças a lidarem melhor com emoções, ansiedade e até frustrações do dia a dia. Outro ponto importante é que o vínculo com os animais pode ensinar valores importantes de forma natural, como respeito, cuidado, paciência e compromisso.

“A presença de um pet também tende a estimular brincadeiras, interação e reduzir o tempo excessivo diante das telas e dispositivos. É verdade que o animal não substitui relações humanas, mas pode funcionar como uma importante fonte de acolhimento emocional. Além disso, muitas crianças que têm animais de estimação se sentem mais seguras, confiantes e até mais comunicativas, impactando positivamente o relacionamento com outras crianças e adultos”, afirma o especialista.

Segundo Freitas, a convivência com um animal pode ser ainda uma oportunidade importante para ensinar responsabilidade às crianças, desde que as tarefas sejam compatíveis com a idade e sempre supervisionadas pelos adultos. “A criança pode participar de pequenas rotinas, como ajudar a colocar água e comida, acompanhar passeios, organizar os brinquedos do pet ou participar dos momentos de cuidado. Isso contribui para desenvolver compromisso, organização e senso de cuidado com o outro”.

Mas é fundamental que os pais entendam que a responsabilidade principal nunca deve ser transferida para a criança, e não se pode cobrar dela atitudes e tarefas das quais ela não está preparada emocionalmente e fisicamente para desempenhar. “O adulto é quem deve ser o responsável principal pelo bem-estar do animal. Questões como saúde, higiene, alimentação adequada, gastos e bem-estar do animal precisam permanecer sempre sob responsabilidade dos adultos”, alerta o psicólogo.

Se a família decidir não adotar um pet naquele momento, é importante conduzir essa conversa com honestidade e acolhimento, sem tratar a decisão como punição ou desvalorização do desejo da criança. “Os pais podem explicar, de forma didática e adequada para a idade, que ter um animal exige tempo, rotina, recursos financeiros e disponibilidade emocional. Mostrar que a decisão envolve responsabilidade ajuda a criança a compreender limites e a lidar melhor com frustrações. Além disso, existem outras formas de estimular o contato saudável com animais, como conviver com pets de familiares, participar de atividades educativas ou visitar espaços apropriados”, acrescenta.

Pet não é brinquedo!

Já do ponto de vista prático, a adoção de um animal exige planejamento e adaptação da rotina familiar. Segundo Julia Vieira, veterinária responsável pelos animais da PetFarm do colégio Progresso Bilíngue de Indaiatuba (SP), antes de escolher um pet é importante avaliar fatores como espaço disponível na casa, tempo para cuidados diários, custos envolvidos e perfil da família.

É importante que os adultos façam uma reflexão prática e sincera sobre o que essa adoção vai representar no dia a dia da casa: quem será responsável pelos cuidados do animal se a família costuma viajar nos finais de semana e nas férias; ou ainda, o sofrimento que o bicho pode ser exposto, sem companhia, em casos onde a família passa pouco tempo em casa.

“Um pet precisa de tempo, atenção, acompanhamento veterinário, alimentação adequada, higiene e cuidados constantes. Muitas famílias pensam apenas no momento da chegada do animal, mas é importante lembrar que ele fará parte daquela rotina”, explica Julia.

A veterinária destaca ainda que a escolha do animal não deve ser feita apenas com base no desejo da criança ou na aparência do pet. “Nem sempre o pet que a criança deseja é o ideal para aquela realidade. Animais muito agitados, por exemplo, podem não ser adequados para famílias com crianças muito pequenas. Da mesma forma, algumas espécies demandam cuidados específicos e uma rotina mais estruturada. Por isso, pesquisar antes e entender as necessidades do animal é essencial para evitar frustrações e dificuldades futuras”, afirma.

Porte, nível de energia, necessidade de espaço e perfil comportamental fazem diferença na adaptação. A profissional destaca que o conhecimento da etologia — ou seja, do comportamento natural de cada espécie — é fundamental para garantir bem-estar tanto ao animal quanto à família. Compreender como aquele pet se comunica, interage, gasta energia e reage ao ambiente ajuda na escolha mais adequada e contribui para uma convivência mais saudável, segura e respeitosa.

Outro cuidado importante é preparar a criança para construir uma convivência saudável e respeitosa com o pet desde o início, evitando acidentes domésticos, como quedas, mordidas e arranhões, tanto da criança como do animal. “Os adultos devem ensinar desde cedo que o pet não é brinquedo. É importante orientar a criança a respeitar o espaço do bicho, evitar brincadeiras bruscas e entender sinais de desconforto ou estresse. A interação precisa ser supervisionada, principalmente nos primeiros meses e com crianças menores”, alerta.

A veterinária também reforça a importância da adoção responsável, que precisa ser encarada como uma escolha de longo prazo. “Antes de levar um animal para casa, a família deve refletir se conseguirá oferecer qualidade de vida ao pet ao longo de toda a vida dele, às vezes por quase duas décadas ou mais. Em muitos casos, esperar o momento mais adequado pode ser a decisão mais consciente e responsável tanto para a criança quanto para o animal”, recomenda.

A seguir, a veterinária elenca opções de adoção que fazem mais sentido diante de cada rotina e configuração familiar:

Famílias com crianças pequenas: costumam se adaptar melhor a animais mais dóceis, pacientes e sociáveis. Entre os cães, raças como Labrador, Golden Retriever, Beagle e Cavalier King Charles Spaniel geralmente apresentam perfil mais amigável para convivência familiar e toleram melhor interações constantes e brincadeiras.

Famílias mais ativas: podem se identificar com cães de maior nível de energia, que gostam de passeios, atividades físicas e brincadeiras frequentes. Raças como Border Collie, Labrador, Golden Retriever, Australian Shepherd e Jack Russell Terrier costumam demandar mais estímulo físico e mental no dia a dia. Nesses casos, é importante que os tutores tenham tempo disponível de no mínimo cerca de duas horas diárias para gastar a energia do animal e estimular o pet fisicamente e mentalmente, evitando estresse e comportamentos destrutivos.

Famílias com pouco espaço ou rotina mais reservada: os gatos podem ser uma boa alternativa. Os gatos passam a demandar menos manejo externo, como passeios diários, quando a família consegue adaptar a casa para as necessidades do animal como espécie – pensando em verticalização de ambientes, esconderijos e locais adequados para higiene e alimentação (caixas de areia e fontes de água).

Além disso, muitos felinos apresentam personalidade mais tranquila, observadora e seletiva nas interações, o que pode combinar melhor com ambientes mais silenciosos e rotinas menos agitadas. Ainda assim, precisam de estímulos, brinquedos, enriquecimento ambiental e respeito ao próprio espaço.

Contudo, antes da adoção, é importante avaliar se algum membro da família possui alergias respiratórias ou sensibilidade ao pelo, à saliva ou à descamação da pele dos animais, já que a convivência pode intensificar sintomas como rinite, espirros e irritações respiratórias em pessoas predispostas.

Famílias que passam muito tempo fora de casa: devem avaliar com cautela a adoção de animais que exigem atenção constante ou sofrem mais com longos períodos sozinhos. Algumas espécies e raças podem desenvolver ansiedade, estresse e comportamentos destrutivos quando ficam isoladas por muitas horas, principalmente quando há erro de manejo durante a rotina do animal, fazendo-se necessária uma pesquisa minuciosa sobre o manejo comportamental da espécie escolhida.

Famílias que buscam pets considerados de menor manejo: animais como peixes, hamsters e alguns roedores podem parecer opções mais simples, mas também exigem cuidados específicos com alimentação, higiene, habitat adequado e acompanhamento veterinário, além de serem animais pouco interativos e que podem sofrer durante o manejo, sendo espécies indicadas apenas para observação, e não para interação direta com os humanos.

Famílias sem experiência prévia com animais: o ideal é evitar escolhas impulsivas baseadas apenas na aparência do pet, modismos ou vídeos da internet. Algumas raças e espécies demandam treinamento, socialização e manejo mais complexos, o que pode dificultar a adaptação.

Em todos os casos: o mais importante é escolher um pet compatível com a realidade da família, considerando tempo disponível, espaço, custos, rotina e disposição para oferecer cuidado e bem-estar ao animal ao longo de toda a vida do bicho.

Os especialistas

Julia Orteiro Vieira é médica veterinária, com atuação na clínica e pós graduanda em cirurgia de animais de pequeno porte. Além da prática veterinária, desenvolve projetos interativos voltados ao contato seguro e educativo entre crianças e animais, promovendo aprendizado, vínculo e desenvolvimento por meio de experiências lúdicas. Atua também em atividades no centro de equoterapia e em ações guiadas de educação assistida por animais no colégio Progresso Bilíngue, unindo bem-estar, conhecimento e interação de forma humanizada e segura.

Marcelo Tucci de Freitas é psicólogo clínico TCC, com especialização em adolescência; pedagogo; possui MBA em Gestão Educacional, e atualmente é orientador educacional do Ensino Fundamental Anos Finais no Brazilian International School – BIS. Com mais de 30 anos de experiência na área educacional atuou em diversas instituições de ensino básico e superior, na coordenação pedagógica e como docente de Psicologia e Ética.

Sobre a ISP – International Schools Partnership

A International Schools Partnership (ISP) é um grupo internacional presente em 25 países, com 109 escolas privadas e mais de 92.500 estudantes em todo o mundo. A ISP apoia e capacita as instituições de ensino, desenvolvendo novos padrões de excelência em educação, para transformar as escolas em referência em suas comunidades locais e no setor educacional global. O aluno da ISP está no centro da jornada de aprendizagem e é preparado para o futuro, tendo acesso a educadores apaixonados e experientes, e ferramentas para que adquira confiança, conhecimento e habilidades; e aprimore seu aprendizado acadêmico, pessoal, social e emocional em um ambiente seguro, acolhedor e inclusivo.

Fonte – Assessoria de Comunicação.

Deixe seu comentário para a noticia

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *