Reserva alcançou índice de maturidade de 18,42% na gestão da segurança pública municipal, resultado classificado como “Muito Baixo” pelo Diagnóstico da Segurança Pública Municipal do Paraná, elaborado pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR), em parceria com o Ministério Público de Contas do Paraná (MPC-PR). Além da avaliação da estrutura administrativa, o painel reúne dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública do Paraná (Sesp-PR) sobre diferentes tipos de ocorrências registradas no município.
O índice de maturidade avalia como a administração municipal está estruturada para planejar, organizar e desenvolver políticas públicas de segurança. Entre os aspectos considerados estão a estrutura administrativa, a gestão orçamentária, o planejamento, a infraestrutura, a capacitação e a cooperação com outros órgãos. Portanto, o resultado não representa uma medição direta da criminalidade nem uma avaliação isolada do trabalho das forças policiais.
No caso de Reserva, o diagnóstico aponta 38,46% no componente de aprimoramento, 21,62% em capacidade de gestão e 0% no componente estruturante. O resultado geral de 18,42% indica limitações na estruturação da política municipal de segurança pública, conforme os critérios utilizados pelo Tribunal.
O levantamento também registra que o município não declarou possuir uma secretaria municipal específica de Segurança Pública, Defesa Social, Ordem Pública ou órgão equivalente. A existência de uma estrutura administrativa própria, assim como instrumentos de planejamento e gestão, está entre os aspectos considerados na avaliação.
Dados de ocorrências em Reserva
Os registros da Sesp-PR apresentados no painel mostram variações nos números de ocorrências ao longo dos anos. Na categoria relacionada a drogas, foram contabilizados 1.855 registros em 2020, 2.441 em 2021, 2.467 em 2022, 2.984 em 2023, 2.800 em 2024, 2.507 em 2025 e 559 em 2026.
Na categoria identificada no painel como “Títulos Penais” que se refere à sentença penal condenatória transitada em julgado (ou seja, da qual não cabe mais recurso). Os números foram de 658 em 2020, 875 em 2021, 917 em 2022, 1.058 em 2023, 1.003 em 2024, 961 em 2025 e 203 em 2026.
Os registros de mortes apresentaram 29 ocorrências em 2020, 21 em 2021, 16 em 2022, 26 em 2023, 25 em 2024, quatro em 2025 e quatro em 2026.
Violência contra mulheres e menores
Os dados também apresentam diferentes categorias de violência. Nos registros de violência doméstica, foram contabilizadas 80 ocorrências em 2020, 104 em 2021, 108 em 2022, 149 em 2023, 166 em 2024, 138 em 2025 e 27 em 2026.
Especificamente na categoria “Violência Doméstica Contra a Mulher”, os números foram de 70 registros em 2020, 95 em 2021, 90 em 2022, 124 em 2023, 143 em 2024, 120 em 2025 e 26 em 2026.
Na categoria “Violência Contra Menores”, o painel indica 49 registros em 2020, 61 em 2021, 80 em 2022, 124 em 2023, 101 em 2024, 86 em 2025 e 15 em 2026.
Já os registros de violência sexual contra menores foram de 24 em 2020, 30 em 2021, 25 em 2022, 42 em 2023, 30 em 2024, 19 em 2025 e dois em 2026. Na categoria de violência sexual contra maiores, foram registrados um caso em 2020, nove em 2021, três em 2022, nove em 2023, quatro em 2024, seis em 2025 e um em 2026.
Também é importante considerar que os dados de 2026 abrangem apenas parte do ano, não sendo diretamente comparáveis aos totais dos anos completos.
O diagnóstico foi desenvolvido a partir de um levantamento realizado pelo TCE-PR entre julho de 2025 e agosto de 2026. Dos 399 municípios paranaenses, 370 responderam ao questionário utilizado para avaliar a estruturação da segurança pública municipal.
Indicadores apontam desafios para a gestão municipal
O diagnóstico do TCE-PR oferece parâmetros para avaliar a estruturação das políticas municipais de segurança pública. No caso de Reserva, a classificação de maturidade muito baixa e os resultados dos componentes avaliados indicam desafios relacionados à organização administrativa, à capacidade de gestão e à consolidação de estruturas voltadas ao setor.
O índice, porém, não representa uma avaliação direta do trabalho das polícias nem mede, por si só, o nível de criminalidade do município. Trata-se de um indicador de maturidade da gestão pública, que deve ser analisado em conjunto com os dados de ocorrências, os recursos disponíveis e as iniciativas de prevenção e enfrentamento da violência.
A análise dos indicadores pode contribuir para identificar áreas que demandam atenção do poder público, especialmente no planejamento, na organização das responsabilidades administrativas, na transparência dos gastos e no desenvolvimento de ações preventivas. O acompanhamento dos resultados ao longo do tempo também permite avaliar eventuais avanços na estruturação da política municipal de segurança pública.
























