Polícia Federal deflagra operação que apura desvio de recursos do SUS em cidade do Paraná

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Operação Ilusão de Ótica apura transferência irregular de recursos federais do SUS em São José da Boa Vista. Investigação aponta possível participação de servidores municipais e resultou no cumprimento de seis mandados de busca e apreensão.

A Polícia Federal deflagrou a Operação Ilusão de Ótica, no município de São José da Boa Vista, no Norte Pioneiro do Paraná, com o objetivo de investigar o desvio de R$ 288.372,12 em recursos públicos federais destinados à Saúde.

Os valores haviam sido repassados pelo Ministério da Saúde ao município e estavam vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS).

A operação, realizada em 24 de abril, resultou no cumprimento de seis mandados de busca e apreensão em endereços ligados à administração municipal e a empresas que teriam recebido os recursos desviados.

Além das buscas, a Justiça determinou o afastamento do secretário municipal de Finanças de suas funções públicas.

Prefeitura denunciou inicialmente uma suposta fraude eletrônica

De acordo com informações divulgadas pela Comunicação Social da Polícia Federal em Londrina, a investigação começou em dezembro de 2024, após a própria Prefeitura de São José da Boa Vista comunicar o desaparecimento de recursos de contas bancárias mantidas na Caixa Econômica Federal.

Na ocasião, a administração municipal informou que R$ 288.372,12 haviam sido subtraídos, atribuindo inicialmente a movimentação a uma possível fraude eletrônica.

Entretanto, o avanço das investigações revelou indícios de que o dinheiro não teria sido retirado por meio de uma invasão externa ao sistema bancário.

Segundo a Polícia Federal, as transferências foram realizadas por funcionários autorizados da própria administração municipal, mediante a utilização de um sistema de assinaturas eletrônicas múltiplas.

A PF destacou que essas assinaturas são de uso pessoal e intransferível, com acesso e autorização restritos a servidores públicos do município.

Dinheiro foi transferido para empresas do Paraná e de Santa Catarina

As apurações identificaram que os recursos desviados foram transferidos para contas bancárias de duas pessoas jurídicas localizadas em Guarapuava, no Paraná, e Joinville, em Santa Catarina.

Outro detalhe chamou a atenção dos investigadores.

Conforme a Polícia Federal, um dos destinatários dos valores realizou dois agendamentos para saques de R$ 100 mil cada, programados para o mesmo dia em que ocorreu o desvio.

Somadas, essas operações representavam R$ 200 mil, parcela significativa do montante investigado.

A movimentação financeira passou a integrar o conjunto de elementos analisados pelos investigadores para esclarecer o destino dos recursos públicos.

Polícia Federal cumpre mandados e Justiça afasta secretário

Durante a Operação Ilusão de Ótica, os agentes federais cumpriram seis mandados de busca e apreensão em diferentes endereços.

Entre os locais alvos das diligências estavam as Secretarias Municipais de Finanças e de Saúde de São José da Boa Vista, além das residências dos respectivos secretários municipais.

As buscas também alcançaram imóveis ligados aos responsáveis pelas empresas que receberam os valores, nas cidades de Guarapuava e Joinville.

Como parte das medidas judiciais, foi determinado o afastamento do secretário municipal de Finanças de São José da Boa Vista.

O afastamento é uma medida cautelar adotada no decorrer da investigação e não representa, por si só, uma condenação.

Valor desviado representa parcela expressiva dos recursos recebidos pelo município

A dimensão financeira do caso também é um dos pontos destacados pela Polícia Federal.

Segundo a corporação, os R$ 288.372,12 desviados em um único dia representam mais de 10% do total anual de recursos considerado na investigação.

O percentual evidencia a relevância do montante sob apuração, especialmente por se tratar de dinheiro público destinado ao financiamento de serviços de Saúde.

A investigação busca esclarecer as responsabilidades individuais, a participação dos envolvidos e o destino dos valores transferidos.

Até o momento, as informações divulgadas pela Polícia Federal não indicam condenações relacionadas ao caso.

Fonte – Comunicação Social da Polícia Federal em Londrina

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