Reserva perde uma de suas cidadãs mais longevas, Dona Alfredina Fernandes Vaz, aos 106 anos

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Aos 106 anos, falece Dona Alfredina Fernandes Vaz, uma das cidadãs mais longevas da história do município. Nascida e criada na cidade, a matriarca deixa um legado de amor, sabedoria ancestral, 14 filhos entre biológicos e adotivos, além de gerações de descendentes.

O município de Reserva despediu-se nesta segunda-feira, 2 de novembro de 2026, de uma de suas presenças mais ilustres e longevas. Aos 106 anos de idade, Dona Alfredina Fernandes Vaz encerrou uma jornada secular que se confunde com a própria história da cidade onde nasceu, viveu e construiu cada capítulo de sua memorável existência. Reconhecida informalmente pela comunidade como a mulher mais idosa — ou certamente uma das mais velhas — da história recente do município, Dona Alfredina personificou a resistência, a dignidade e o acolhimento do povo reservense.

Ao longo de mais de um século, sua residência foi um ponto de referência para a família e para a vizinhança. Dona Alfredina deu à luz nove filhos biológicos e, com a generosidade de espírito que sempre a definiu, acolheu e criou outros cinco filhos de coração. Desse tronco forte floresceram dezenas de netos, bisnetos e trinetos, multiplicando sua linhagem e espalhando seus valores por diferentes gerações.

Mulher de raízes profundas, Dona Alfredina carregava em seus gestos a herança de sua ancestralidade indígena. Seus conhecimentos tradicionais se revelavam nos cuidados diários com a família e com quem batesse à sua porta: uma erva colhida com sabedoria, uma pomada caseira, um remédio natural e uma palavra firme de conforto. Paralelamente aos saberes tradicionais, carregava consigo uma clareza singular de propósito e convicção sobre seus caminhos, escolhendo viver em sua cidade com autonomia, firmeza moral e independência.

Para a família, o sentimento que sobressai à dor da despedida é o privilégio de ter compartilhado tantos anos ao lado de uma matriarca inabalável. Emocionada, uma de suas netas, em sua rede social, a também conhecida cidadã reservense, a advogada e empresária Andréa Vaz destacou a proteção incondicional e os aprendizados deixados pela avó, com quem teve o privilégio de morar na infância e na juventude:

“Minha avó sempre me conheceu de verdade e, junto com meu avô, nos defendia com coragem de qualquer injustiça. Ela me ensinou a ter convicção, a sustentar minhas escolhas e a viver com coragem. Não guardo tristeza, mas uma gratidão infinita por ter tido a honra de ser sua neta por tanto tempo.”

Dona Alfredina parte deixando um vazio irreparável no cotidiano de Reserva, mas seu nome permanece inscrito na memória local como símbolo de longevidade, amor maternal expandido e firmeza de caráter.

As informações sobre o velório e o sepultamento foram acompanhadas por familiares, amigos e moradores que prestaram suas últimas homenagens a uma mulher que não apenas testemunhou mais de um século passar, mas dedicou cada um desses anos a cuidar e amparar os seus.

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