A urna eletrônica brasileira é uma tecnologia implementada para combater fraudes que marcaram o processo eleitoral do país desde os tempos do Império, quando a votação em papel facilitava a manipulação de resultados.
A trajetória de modernização do sistema eleitoral brasileiro teve dois marcos fundamentais: a unificação do cadastro eleitoral em 1985, que deu início à informatização do processo, e a estreia do primeiro modelo de urna eletrônica, em 1996. A implementação do voto eletrônico no país começou justamente nas Eleições Municipais daquele ano, abrangendo 57 cidades, o que inclui as 26 capitais e os municípios com mais de 200 mil eleitores.
Com essa iniciativa, cerca de 32 milhões de cidadãos puderam exercer o direito ao voto por intermédio do novo equipamento pela primeira vez na história nacional.
A preparação dos sistemas
Para garantir que os sistemas da urna estejam prontos para o pleito, o trabalho começa meses antes do dia da votação. A Justiça Eleitoral desenvolve softwares exclusivos, que são codificados, inspecionados e identificados em cerimônias públicas com a participação de entidades fiscalizadoras.
Uma das auditorias mais robustas desse ciclo é o Teste Público de Segurança, realizado pela última vez de 1º a 5 de dezembro de 2025 na sede do TSE. Durante o evento, investigadores externos aplicaram 35 planos de testes para encontrar e testar barreiras nos sistemas que serão usados nas Eleições Gerais de 2026.
A segurança dos softwares
As melhorias desenvolvidas pela equipe de TI do TSE são validadas posteriormente na etapa do Teste de Confirmação, quando os mesmos investigadores retornam para garantir que as barreiras de proteção são robustas para evitar eventuais vulnerabilidades.
Após a homologação e a lacração, os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) realizam a preparação física e a instalação dos programas oficiais, os dados dos candidatos e as mídias de resultado nas urnas de cada Seção Eleitoral.
O início da votação e a garantia da urna zerada
No dia da votação, são realizadas cerimônias públicas na Seção Eleitoral. Às 7h30, na presença de mesários e fiscais de partidos, as urnas são ligadas e é impressa a “Zerésima”, um relatório físico que comprova que o equipamento não possui nenhum voto previamente registrado.
A biometria e o controle de acesso
Por meio da leitura de características físicas individuais únicas, como a impressão digital e a fotografia, o sistema valida a identidade do eleitor antes de habilitá-lo para votar. Essa tecnologia cumpre uma função vital: assegura que nenhuma pessoa vote no lugar de outra e impede registros duplicados no cadastro eleitoral.
Sigilo absoluto
Uma vez habilitado, o eleitor se dirige à cabine reservada para interagir com o terminal do eleitor. Para respeitar o sigilo constitucional do voto, a urna eletrônica não associa a identidade do eleitor à sua escolha política. O software grava estritamente a informação de que o cidadão compareceu e votou.
A confirmação do voto
Assim que a tecla “confirma” é pressionada, os votos são embaralhados internamente em uma tabela criptografada por meio do Registro Digital do Voto (RDV). Esse mecanismo torna matematicamente impossível descobrir a ordem em que os eleitores votaram ou associar qualquer voto ao Título de Eleitor correspondente.
Às 17h, o encerramento da votação gera imediatamente o Boletim de Urna (BU), um relatório impresso com a contagem dos votos daquela Seção. Cada boletim recebe uma assinatura digital exclusiva do equipamento e é totalmente criptografado, garantindo que os dados não sejam alterados.
Transmissão isolada e a totalização dos resultados
Após a emissão dos relatórios, a mídia de resultado (um dispositivo de memória protegido) é removida da urna e transportada para um ponto de transmissão oficial. A transmissão desses dados criptografados é realizada por meio de uma rede exclusiva e protegida da Justiça Eleitoral, totalmente isolada da internet. Esse isolamento físico é a principal barreira contra ataques cibernéticos externos.
Ao chegarem ao servidor central do TSE, os sistemas decifram os dados apenas após validarem a assinatura digital da urna, certificando que a origem é autêntica. Todo esse fluxo pode ser fiscalizado antes, durante e depois das eleições por cidadãos, partidos e órgãos de controle.
Fonte – TRE-PR.
























