Um gato de rua diagnosticado com esporotricose morreu após ser resgatado por uma organização não governamental (ONG) de proteção animal de Reserva. O caso teve início quando uma pessoa encontrou o animal em situação de abandono e procurou ajuda junto ao Abrigo Municipal. Segundo os relatos, não foi oferecido nenhum tipo de atendimento ou encaminhamento. Diante da falta de assistência, essa pessoa buscou apoio da ONG, que decidiu assumir o resgate.
A esporotricose é uma doença que pode ser transmitida entre animais e também para seres humanos, o que aumenta a preocupação em casos envolvendo animais doentes nas ruas. Conforme a ONG, o gato apresentava sinais de enfermidade e precisava de atendimento veterinário.

Após ser procurada, a entidade levou o animal a uma clínica particular. Exames confirmaram o diagnóstico de esporotricose, e o tratamento foi iniciado. As despesas chegaram a R$ 3.227,50, valor que, segundo a organização, ficou sob responsabilidade das protetoras.
A ONG critica a ausência de orientação por parte do município. Para as voluntárias, mesmo que o Abrigo Municipal não atendesse gatos, seria necessário indicar à pessoa que buscou ajuda qual serviço deveria ser procurado, principalmente diante de uma suspeita de zoonose.
A situação se agravou porque a ONG não possui sede própria. As protetoras que colaboram com a entidade já cuidam de diversos animais e, segundo o grupo, não tinham condições de levar o gato para uma residência particular, especialmente devido ao risco de transmissão da doença. O animal precisava de um local adequado para permanecer isolado durante o tratamento.
Ainda conforme a ONG, ao procurar novamente apoio da Prefeitura, a entidade recebeu a informação de que, como o resgate e o atendimento veterinário haviam sido realizados de forma particular, a responsabilidade pelo animal seria da própria organização. Para as protetoras, a postura demonstra falta de articulação entre os serviços públicos e as entidades de proteção animal.
Em resposta, a área de Meio Ambiente informou que o município possui atribuições relacionadas à saúde pública e ao controle de zoonoses, mas argumentou que o resgate voluntário e o encaminhamento particular não transfeririam automaticamente à Prefeitura a responsabilidade pela manutenção do animal durante o tratamento.
O município também declarou que a Vigilância acompanhava o caso e que sua atuação consistia na disponibilização da medicação necessária. Quanto à manutenção física e ao isolamento do gato, a Prefeitura afirmou que essa questão deveria ser tratada pela entidade responsável pelo resgate.
O gato, porém, acabou morrendo. O caso levantou questionamentos sobre como situações semelhantes serão conduzidas no município. As protetoras afirmam que não podem continuar assumindo sozinhas casos que envolvem doenças transmissíveis e que exigem estrutura adequada, isolamento e acompanhamento.
A situação reacende o debate sobre a necessidade de uma atuação integrada entre Prefeitura, Vigilância em Saúde, controle de zoonoses, serviços veterinários e organizações de proteção animal. Para a ONG, mais do que arcar com os custos de um atendimento emergencial, é necessário que o poder público ofereça orientação e defina procedimentos claros para casos que possam representar risco à saúde dos animais e da população.
























