Presidente do Paraguai anuncia renúncia em meio a crise bancária e avanço de impeachment

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O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) que decidiu renunciar ao cargo, em meio a uma grave crise política e bancária que atinge o país. A decisão ocorre no mesmo dia em que a Câmara dos Deputados aprovou a abertura de um processo de impeachment contra o mandatário.

Em comunicado divulgado nas redes sociais, Peña afirmou que a decisão foi motivada pela preocupação com a estabilidade do país e a preservação das instituições democráticas. Segundo ele, a renúncia será apresentada em respeito à Constituição paraguaia e aos mecanismos institucionais.

Agora, caberá ao Congresso Nacional decidir se aceita o pedido de renúncia. Caso a decisão seja rejeitada, o processo de impeachment poderá continuar.

A crise política ganhou força após a dissolução do Banco Ueno, considerado o maior banco digital do Paraguai. O pedido de impeachment foi apresentado por um grupo de 35 deputados, inicialmente da oposição, mas também recebeu apoio de parlamentares do próprio partido governista.

A situação gerou questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse envolvendo o presidente. Santiago Peña, que é economista, foi acionista da Ueno Holding, empresa relacionada ao grupo controlador do banco, até março de 2025.

A crise também atingiu a direção do Banco Central do Paraguai. Carlos Carvallo, que presidia a autoridade monetária desde 2023, renunciou ao cargo. Antes de assumir a presidência do Banco Central, ele havia ocupado a direção do próprio Banco Ueno.

Crise bancária e investigação

O Banco Central do Paraguai determinou, em 3 de novembro, a suspensão das operações do Banco Ueno e o início de um processo de resolução da instituição, após considerá-la insolvente, ou seja, sem capacidade de honrar seus compromissos financeiros.

O caso também passou a ser investigado pelo Ministério Público paraguaio, que solicitou a abertura de uma investigação criminal e pediu a prisão de dois dirigentes da instituição.

As apurações envolvem suspeitas sobre a administração do banco e a concessão de empréstimos a empresas ligadas ao grupo controlador. Essas operações teriam comprometido o patrimônio da instituição financeira.

Santiago Peña tem 47 anos, foi eleito em abril de 2023 pelo Partido Colorado, de orientação política de direita, e sucedeu Mario Abdo Benítez, também integrante da mesma legenda.

A eventual saída de Peña representa um novo capítulo de instabilidade política no Paraguai, cuja definição dependerá agora da decisão do Congresso sobre o pedido de renúncia e dos desdobramentos do processo de impeachment.

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