A Belagrícola, uma das maiores distribuidoras de insumos agrícolas do Paraná, protocolou em dezembro de 2025 um plano de recuperação extrajudicial para reestruturar dívidas que somam cerca de R$ 3,8 bilhões. Do total, aproximadamente R$ 2,2 bilhões correspondem a créditos quirografários (sem garantia), impactando diretamente produtores rurais e outros credores.
O processo tramita na 11ª Vara Cível e Empresarial de Londrina e busca a homologação judicial do acordo.
Situação atual
Em fevereiro de 2026, a empresa já teria obtido mais de 50% de adesão de fornecedores e instituições financeiras ao plano e agora concentra esforços para garantir a adesão dos produtores rurais.
Segundo a proposta apresentada, produtores podem receber até 100% do valor devido em um prazo de até cinco anos, mas o plano prevê deságios (reduções de dívida) e alongamento de prazos como parte da reestruturação.
Suspensão de cobranças
A empresa conseguiu na Justiça uma tutela cautelar de 60 dias, suspendendo execuções e cobranças judiciais relacionadas às dívidas incluídas no plano. O prazo pode ser prorrogado, conforme decisão judicial.
Motivos da crise
Entre as justificativas apresentadas pela companhia estão:
- Quebras de safra provocadas por eventos climáticos adversos;
- Elevação dos juros;
- Alto custo de produção;
- Retração no crédito agrícola.
- O cenário afetou o fluxo de caixa da empresa e levou à necessidade de renegociação ampla com credores.
Produtores pedem cautela
Entidades do setor, como o Sistema FAEP, orientam que produtores rurais analisem cuidadosamente as propostas antes de aderirem ao plano. A recomendação é que os credores se habilitem formalmente no processo, avaliem os termos de deságio e busquem orientação jurídica para resguardar seus direitos.
A recuperação extrajudicial da Belagrícola reacende o debate sobre os impactos da crise climática e financeira no agronegócio paranaense, especialmente para produtores que dependem de crédito e da comercialização futura da produção.
























