Polícia Civil e MP investigam supostos desvios de doações destinadas a vítimas de tornado no Paraná

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A Polícia Civil e o Ministério Público do Paraná (MP-PR) investigam supostos desvios de bens e mantimentos arrecadados para atender famílias atingidas pelo tornado que devastou Rio Bonito do Iguaçu, na região central do Paraná, em novembro de 2025. O fenômeno destruiu cerca de 90% da cidade.

Na quarta-feira (2), foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão no município. Um deles foi realizado na sede da Secretaria Municipal de Assistência Social e o outro no barracão do Centro de Eventos, locais utilizados para armazenar alimentos, bens e outros materiais recebidos por meio de doações destinadas às vítimas do desastre.

Segundo o MP-PR, entre os investigados estão autoridades e servidores públicos, mas os nomes e cargos não foram divulgados neste momento porque o procedimento tramita sob sigilo.

Durante as diligências, foram apreendidos documentos e equipamentos de informática, incluindo notebooks. Conforme o Ministério Público, os materiais serão submetidos a análise técnica e confrontados com informações já reunidas no inquérito policial. A investigação busca verificar possíveis registros de inventário, cadastros socioassistenciais e documentos relacionados à distribuição dos donativos, além de esclarecer se houve irregularidades na gestão e destinação dos materiais.

A Polícia Civil informou que ninguém foi preso até o momento, já que as autoridades ainda apuram se os bens foram efetivamente destinados às vítimas do tornado. Uma das suspeitas investigadas é de que alguns itens tenham sido entregues a pessoas que não preenchiam os requisitos para receber as doações.

O caso é investigado, inicialmente, como peculato, crime previsto no Código Penal e relacionado à apropriação ou desvio, por funcionário público, de dinheiro ou bens que estejam sob sua posse em razão do cargo. A pena prevista para o crime, em caso de condenação, é de dois a 12 anos de prisão, além de multa.

A investigação teve início após o Ministério Público receber informações de que, no começo de agosto, um veículo oficial de Rio Bonito do Iguaçu estaria sendo utilizado para transportar bens e descarregá-los em um endereço residencial em Laranjeiras do Sul. Dias depois, uma nova informação apontou que outro veículo oficial do município teria sido utilizado novamente para transportar materiais ao mesmo endereço.

A Polícia Civil foi acionada e, durante a abordagem de um dos veículos, constatou que a Secretaria Municipal de Assistência Social havia autorizado o uso do automóvel, do combustível e de um servidor público para o transporte de bens pertencentes ao acervo municipal e de materiais provenientes de doações.

De acordo com as informações da investigação, os bens foram entregues em Laranjeiras do Sul, na residência de um detento que presta serviços externos em Rio Bonito do Iguaçu. A partir dos elementos reunidos, foi instaurado um inquérito policial para apurar a destinação dos materiais e, posteriormente, foram solicitadas as medidas de busca e apreensão cumpridas nesta quarta-feira.

Em nota, a Prefeitura de Rio Bonito do Iguaçu afirmou que prestou e continuará prestando toda a colaboração necessária às autoridades, permitindo acesso aos locais, documentos e informações solicitados durante as diligências.

A administração municipal disse ter recebido a operação com surpresa, alegando que sempre forneceu as informações solicitadas pelo Ministério Público e por outras autoridades. A Prefeitura também nega irregularidades na destinação dos donativos e afirma que os materiais foram distribuídos de forma correta, com o objetivo de atender as famílias que mais necessitavam após o tornado.

O município declarou ainda que eventuais divergências serão esclarecidas durante a investigação e reafirmou o compromisso com a transparência, a correta destinação dos donativos e recursos públicos e a colaboração com as autoridades para o esclarecimento dos fatos.

Fonte – Com informações do g1.

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