Tarifaço dos EUA derruba exportações de madeira do Paraná em até 61% e setor acumula prejuízos

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O setor madeireiro do Paraná enfrenta um dos momentos mais desafiadores dos últimos anos. Em 2025, as exportações de produtos de madeira registraram queda de até 61%, impactadas diretamente pelo aumento de tarifas impostas pelos Estados Unidos, principal destino da produção estadual.

Os dados foram divulgados pela Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal e revelam um cenário de forte retração, especialmente em segmentos estratégicos.

Quedas expressivas em vários segmentos

O setor de molduras foi o mais afetado, com redução de 61% nas exportações — passando de US$ 241 milhões em 2024 para US$ 150 milhões em 2025. Já o segmento de portas de madeira apresentou queda de 55%.

Segundo o presidente da entidade, Fabio Brun, os impactos mais severos foram sentidos principalmente no segundo semestre de 2025.

Outros produtos também registraram retração, influenciados tanto pelas tarifas quanto pelo aumento da oferta global e queda nos preços. A biomassa florestal caiu 38% (de US$ 29 milhões para US$ 21 milhões), o compensado de pinus recuou 13% (totalizando US$ 488 milhões) e a celulose teve queda de 11%, com US$ 364 milhões exportados.

Poucos segmentos conseguem crescer

Na contramão da crise, apenas alguns setores apresentaram crescimento. O destaque ficou para o serrado de folhosas, que avançou 21,4% e atingiu US$ 17 milhões em exportações. Também cresceram os móveis de madeira (+11%), com US$ 110 milhões, e o papel (+2,2%), que alcançou US$ 841 milhões.

Mesmo com esses resultados pontuais, o total das exportações do setor florestal paranaense somou US$ 2,3 bilhões em 2025, uma queda de cerca de 9% em relação aos US$ 2,5 bilhões registrados em 2024 — uma redução de aproximadamente US$ 226 milhões.

Demissões e impactos no emprego

A crise também afetou diretamente o mercado de trabalho. Desde o anúncio das tarifas, cerca de 4 mil trabalhadores foram demitidos no país. Além disso, 5,5 mil funcionários entraram em férias coletivas e outros 1,1 mil foram colocados em regime de layoff.

Somente uma empresa do setor no Paraná demitiu aproximadamente 400 trabalhadores e colocou outros 1.100 em layoff, afetando unidades em Jaguariaíva e Telêmaco Borba, nos Campos Gerais.

Ao longo de 2025, a estimativa da APRE Florestas é de que cerca de 10 mil empregos tenham sido perdidos no setor.

Busca por novos mercados e solução diplomática

Diante do cenário adverso, empresas do setor passaram a buscar novos mercados para reduzir a dependência dos Estados Unidos. No entanto, segundo representantes da indústria, substituir completamente o mercado norte-americano é um desafio complexo.

Desde o início da imposição das tarifas, em abril de 2025, o setor produtivo tem pressionado por uma solução diplomática. A expectativa é de que o Governo Brasileiro avance em negociações para reduzir ou eliminar as barreiras comerciais.

Medidas adotadas pelo Governo do Paraná, como oferta de crédito e flexibilização de prazos, ajudaram a amenizar os impactos, mas são consideradas paliativas pelo setor, que segue enfrentando um cenário de incerteza.

Fonte – Com informações de CBN Curitiba.

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